04 junho 2011

Love Song



I'm not gonna write you a love song
'cause you tell me it's
Make or break in this
If you're on your way
I;m not gonna write you to stay

E assim ela veio na minha cabeça. Lembranças de uma época em que ouvia "Love Song", da Sara Bareilles, enquanto arrumava a mala para realizar um sonho antigo que me valeu cada trabalho suado, cada briefing chato e todo segundo com dores no pé durante um evento. Um sonho que me ensinou a ter disciplina, juntar dinheiro, a acreditar e, o melhor, a saber como tirar o sonho da cabeça e colocá-lo na minha frente.

Love song embalou minha tarde de sábado com as roupas empilhadas, saltando por cima da mala entre armário e cama, separando potes de creme, shampoo, pasta de dente e mais algumas coisinhas enquanto conversava com minha irmã pelo msn e baixava todas as músicas que ela indicava como as mais tocadas por lá nessa época. Love Song era uma delas.

Entrou no iPod e foi comigo até lá. Atravessou o Pacífico depois de 20 horas de vôo.

Love Song me lembra Sydney, o momento em que vi a Opera House poucos minutos antes da aterrissagem, bridge climb, butter chicken, shiraz, Tim Tam, Darling Harbour, a estação de Waverton e o cheiro do condomínio Wondakiah. O metrô que eu nunca entendi, a panqueca pegando fogo de tanta pimenta, a pale ale no Lord Nelson, os 7 dias seguidos de chuva, a minha insistência em entrar na água do mar em pleno dia de outono fazendo 20 graus e com água congelante, as ruas limpas, as pessoas bonitas, os prédios comerciais movimentados, o trânsito calmo, a mão inglesa, o carrinho de supermercado que anda para o lado, todo lixo reciclado, shopping fechando às 5h da tarde, o joey mais fofo do mundo que vi num parque, o jardim botânico. E a vontade de não embarcar na volta.

Eu sabia que ia me apaixonar por Sydney e que essa é a cidade com a minha cara. Eu sabia que encontraria um cantinho como Lavender Bay, onde me imaginaria numa casa cheia de flores no jardim, sem muros, com vista para a Harbour Bridge, cercada de silêncio e brisa da baía.

Mesmo 4 anos depois, eu ainda sinto essa separação, uma sensação de perda, de saudade. Principalmente se Love Song começa a tocar. Seja no velho iPod ou na loja de sapatos do shopping. Enquanto os primeiros acordes me dão frio na barriga, olho para cada um dos pares, penso muito, calço alguns e não me apaixono por nenhum. Todos eles machucam meus pés. Quando a música chega no final do segundo refrão, saio da loja de mãos vazias, perdida no desejo por chinelos no pé e ticket da ferry para Manly na mão.

2 comentários:

Juliana disse...

Amei, amei, amei!!! Só faltou colocar que você curtiu e amou tudo isso, ao lado da melhor irmã do mundo. #hehehe

Juliana disse...

Relendo o seu post hoje. Que saudades que me deu das semanas que passei com você. Foram as melhores!