I'm not gonna write you a love song
'cause you tell me it's
Make or break in this
If you're on your way
'cause you tell me it's
Make or break in this
If you're on your way
I;m not gonna write you to stay
E assim ela veio na minha cabeça. Lembranças de uma época em que ouvia "Love Song", da Sara Bareilles, enquanto arrumava a mala para realizar um sonho antigo que me valeu cada trabalho suado, cada briefing chato e todo segundo com dores no pé durante um evento. Um sonho que me ensinou a ter disciplina, juntar dinheiro, a acreditar e, o melhor, a saber como tirar o sonho da cabeça e colocá-lo na minha frente.
Love song embalou minha tarde de sábado com as roupas empilhadas, saltando por cima da mala entre armário e cama, separando potes de creme, shampoo, pasta de dente e mais algumas coisinhas enquanto conversava com minha irmã pelo msn e baixava todas as músicas que ela indicava como as mais tocadas por lá nessa época. Love Song era uma delas.
Entrou no iPod e foi comigo até lá. Atravessou o Pacífico depois de 20 horas de vôo.
Love Song me lembra Sydney, o momento em que vi a Opera House poucos minutos antes da aterrissagem, bridge climb, butter chicken, shiraz, Tim Tam, Darling Harbour, a estação de Waverton e o cheiro do condomínio Wondakiah. O metrô que eu nunca entendi, a panqueca pegando fogo de tanta pimenta, a pale ale no Lord Nelson, os 7 dias seguidos de chuva, a minha insistência em entrar na água do mar em pleno dia de outono fazendo 20 graus e com água congelante, as ruas limpas, as pessoas bonitas, os prédios comerciais movimentados, o trânsito calmo, a mão inglesa, o carrinho de supermercado que anda para o lado, todo lixo reciclado, shopping fechando às 5h da tarde, o joey mais fofo do mundo que vi num parque, o jardim botânico. E a vontade de não embarcar na volta.
Eu sabia que ia me apaixonar por Sydney e que essa é a cidade com a minha cara. Eu sabia que encontraria um cantinho como Lavender Bay, onde me imaginaria numa casa cheia de flores no jardim, sem muros, com vista para a Harbour Bridge, cercada de silêncio e brisa da baía.
Mesmo 4 anos depois, eu ainda sinto essa separação, uma sensação de perda, de saudade. Principalmente se Love Song começa a tocar. Seja no velho iPod ou na loja de sapatos do shopping. Enquanto os primeiros acordes me dão frio na barriga, olho para cada um dos pares, penso muito, calço alguns e não me apaixono por nenhum. Todos eles machucam meus pés. Quando a música chega no final do segundo refrão, saio da loja de mãos vazias, perdida no desejo por chinelos no pé e ticket da ferry para Manly na mão.
2 comentários:
Amei, amei, amei!!! Só faltou colocar que você curtiu e amou tudo isso, ao lado da melhor irmã do mundo. #hehehe
Relendo o seu post hoje. Que saudades que me deu das semanas que passei com você. Foram as melhores!
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