Sempre
tive fascínio pela América Latina e suas paisagens exóticas. Há mais ou menos um
ano (ou quando eu deixei de vir aqui deixar as lembranças da viagem, tirei férias e fui com uma amiga para Cuzco, Machu Picchu e Lago Titicaca,
no Peru.
Com
pouco dinheiro no bolso e muita disposição, reservamos nossa hospedagem no Kokopelli Hostel e a experiência já foi, por si só, uma grande novidade já que era a
única novata no quarto com 12 camas, onde também se hospedaram americanos, um
japonês, argentinos e suecos. Me surpreendi pelo conforto e limpeza do lugar.
O mais
legal de se hospedar num albergue é conhecer pessoas do mundo todo, trocar
idéias e dicas de viagem. Fiz grandes amizades por lá, que me rendem risadas e
boa companhia até hoje.
No
primeiro dia de viagem, tentamos nos acostumar à altitude de 3.400 metros. Por
precaução, decidimos descansar tomando um chá de coca, que tem um sabor forte e
um pouco desagradável. Ao contrário do que você deve estar imaginando, não, o
chá não dá onda nenhuma. No máximo, um pouco de disposição para encarar as
escadarias que os Incas construíram entre os séculos XIII e XVI, antes da
invasão espanhola.
Já o
pisco sour... esse sim dá onda. É a bebida mais tradicional do país, feito de
pisco (um tipo de cachaça), limão, açúcar e ovo. Todas as noites, o bar do albergue
enchia de cabelos loiros, ruivos, dreads, barbas mal feitas, barbas por fazer
há uns 3 meses talvez... e muita música, incluindo Ai se eu te pego, cantado em um português inventado por todos no
bar, inclusive eu. Mas também né, depois de 3 piscos...
A
partir do segundo dia, nosso foco mudou do pisco para os passeios aos sítios
arqueológicos, a maioria organizados pelo próprio albergue. Visitamos Pisaq, Calca, Urubamba, Ollantaytambo, Chinchero entre
outros. Todos valem a pena e cada um intriga pelos seus mistérios e histórias,
além das paisagens de tirar mais fôlego que a altitude.
ollantaytambo
Meu passeio preferido em Cuzco
foi o que fizemos a pé, caminhando cerca de 10km, desde
Tambomachay até Saqsayhuaman onde
fica o mirante da cidade.
No centro de Cuzco, o lugar que
achei mais interessante foi o Convento de Santo Domingo, construído pelos
espanhóis por cima do templo Coricancha em 1633. Por sorte, ou pelas forças dos
deuses Incas, um forte terremoto causou danos graves à estrutura do Convento,
enquanto a estrutura do templo ficou intacta e, desta vez, aparente como está
até hoje.
convento de santo domingo
Para Machu Picchu, pegamos um
trem diurno, que segue pelas margens do Rio Urubamba, um espetáculo pelas águas
agitadas. A viagem de três horas é um remédio pros olhos e pra alma.
A subida para Machu Picchu de
micro ônibus demora em torno de 30 minutos e os mais aventureiros e atléticos
sobem a pé por cerca de 1 hora, o que não foi o meu caso. Era domingo de Páscoa
e a lua cheia iluminava as montanhas num visual azulado que aos poucos foi
tomado pela neblina e, minutos depois, pelo sol forte que nos apresentou um dos
cartões postais mais conhecidos do mundo.
machu picchu
Sentada ali, permaneci por
horas aprecisando a paisagem e as construções em pedras gigantes, perfeitamente
alinhadas, que são um mistério lindo de admirar sem olhar pro relógio.
A última parada foi o Lago
Titicaca, o maior da América do Sul, com 190km de comprimento e 80km de
largura. Visitamos Uros, uma das ilhas flutuantes habitadas por nativos muito
divertidos e amigáveis, que sobrevivem do turismo. O ar é bastante úmido e o vento
bem frio.
Uros
O Peru é um país rico em
paisagens lindíssimas e muita história. Além da herança do Império Inca, o país
também abriga a floresta amazônica e o sexto maior cânion do mundo, que
infelizmente não pude ir, mas fica para a próxima viagem.
Links úteis:
www.hostelkokopelli.com
www.perurail.com




