Faz tempo. Muito tempo. Faz tempo que algo que vi, li ou ouvi não me toca a fundo, não me tira de mim mesma e do meu mundinho, a ponto de desejar vir aqui escrever.
Da noite para o dia, me vi sentada numa cadeira diferente, trabalhando numa mesa nova, com pessoas novas, em um ambiente totalmente diferente. E um tal de acordeom começou a fazer parte do meu dia-a-dia. Acordeom pra cá...acordeom pra lá...e eu não entendia nada disso. Muito menos sabia quem eram essas pessoas que tocavam esse instrumento que, até o momento, só esteve presente na minha vida em imagens estereotipadas de um jantar à luz de velas com um bom vinho num bistrô na Champs-Élysées.
E foi finalmente numa viagem a Porto Alegre, para o festival Le Grand Soufflet - Conexão Acordeom França Brasil, que esse tal de acordeom me pegou de jeito. Não teve nada de bistrô, muito menos luz de velas. Foram três dias na cidade, regados à muito trabalho, pouco sono, churrasco e caipirinha de kiwi.
O acordeom é apaixonante, seja com sotaque francês ou com a ginga brasileira. Pode ser experimental como Arnaud Methivier e Pierre Payan, envolvente como o folk do Trio Amestoy / Dulieux / Suarez, contemporâneo e dançante no hip hop do Syrano, delicado e clássico como Toninho Ferragutti, carismático como Renato Borghetti ou tocado com a maestria de Oswaldinho.
Em questão de dias me vi envolvida por esse som, pela cidade de Porto Alegre (na verdade, pelo bairro de Higienópolis, único lugar que realmente conheci), pelos novos amigos franceses, pelos novos amigos brasileiros também e por meu novo trabalho.
O vôo de volta para casa foi repleto de souvenirs que aguardam ansiosamente por um déjà vu.
Um comentário:
Fico muito feliz com tudo isso. :)
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